quinta-feira, 8 de março de 2012

Nasci em 10 de Fevereiro de 1964. Era uma segunda-feira de carnaval. Pelo que eu soube, meu irmão caçula ficou meio puto porque não pode ir na matinê do baile naquele dia. Minha mãe estava grávida de 7 meses, e eu resolvi dar o ar da graça. Mais ou menos... Até hoje não entendo direito esse lance de como fui nascer naquele dia. Minha mãe passou mal, meu pai a levou pro hospital, e foi feita uma cesárea de emergência. Dr. Túlio Negro, o obstetra que cuidava da minha mãe, perguntou pro meu pai quem ele deveria salvar, já que nós duas corríamos risco de vida: há 48 anos atrás, sem os recursos tecnológicos que temos hoje, os médicos realmente tinham esse tipo de preocupação, e passavam essa informação aos pais. Meu pai logicamente optou por minha mãe, afinal, quem tomaria conta dele e dos 3 meninos que ficaram em casa? Mas eu, teimosamente, resisti a tudo, e cá estou. Nasci com 2,450 kg e 50 cm - estava completamente formada, e, pra que esperar mais?

São Caetano do Sul, naquela época, era uma cidadezinha provinciana, no início de uma industrialização. Tinha a fábrica da Adria (macarrão) ao lado de casa, o Braido e o Dalmas (o pessoal do sebo, que tinha um fedor impressionante), a Cerâmica Sul Americana na frente da minha casa (fábrica de pastilhas) e a Cerâmica São Caetano, que ficava próxima, mas nem tanto, de nossa casa. Um pouco mais pra cima, ficava a Porcelana Teixeira, na esquina bem em frente ficava o bar do Seu Abílio, e, na esquina de baixo, na vilinha da Maria Fofoqueira, o bar do Seu Barbosa. Na vilinha, morava a Solange e o seu irmão, o Renato. Não lembro do nome da mãe deles. Morava também a Dona Lourdes. Na esquina, em frente ao bar, morava a Dona Joaninha e o Seu Luís, que tinham os filhos Silvinha e Luisinho. Como esse menino era impertinente! Eu era uma menina gordinha, e ele vinha desde o Bartolomeu, que ficava lá em cima, ao lado do Tiro de Guerra, até em casa, me atormentando, cantando musiquinhas que mostravam o quanto eu era mimada! Ao lado da casa da Dona Joaninha, ficava a casa da Dona Maria Angélica e do Seu Giácomo, que tinham o Ciro e a Rosa Maria, filhos cultíssimos. Dona Maria era professora do Bartolomeu aposentada, e era a pessoa mais chique que conheci nessa fase da infância. A casa seguinte era a nossa. Depois vinha a casa da Dona Terezinha e do Seu Nene. Acho que o chamávamos assim pra não confundir com o Seu Jácomo (Não usávamos o Giácomo porque não era importante dizermos que éramos descendentes de italianos), mas seu nome era Jácomo também. Tinham 3 filhos: a Catarina, que era professora, o Sérgio e o Paulinho, que tinha mais ou menos minha idade.Depois vinha a casa das Gordas. Depois era a casa da Dona Zilda e do Seu José. Tinham 3 filhas: a Sônia, a Nanci e a Vânia. O Seu José era irmão da Dona Terezinha. Aí tinha outra vilinha. Não sei por que a gente não brincava muito lá. Entrando lá tinha a outra casinha da Dona Terezinha, que, tempos depois, quando a Catarina casou, ela morou lá. Tinha mais uma casinha, depois a casa dos negros. A família Fernandes de Brito. Era um montão de filhos!!!!!! Lembro de alguns (não sei se são todos): Israel, Natanael, Elias, Deise, Marta, Cleide, Dalila. A maior parte deles trabalhava como cabeleireiros ou manicures. Quando ainda eram pequenas, a Deise e a mãe dela trabalhavam como domésticas ou mesmo diaristas. Pessoal esforçado. Em seguida era a casa dos Gordos. Todo mundo naquela casa era gordo, com excessão de uma menina. Todos tinham os nomes começando com MARI: Marivaldo, Marinalva, etc - tb era um montão de filhos. A mãe deles tinha morrido, e era o pai quem os criava. Tinha amizade com 2 deles: a Queca e o Quico. Tinha um muro, depois da casa, que era a divisa com uma parte de uma das cerâmicas, e depois mais uma casa. Não lembro direito a distribuição, mas depois tinha a casa do Josemar, que era neto do Seu Pierim, que era pai ou tio da Dona Terezinha e do Seu José. Tinha a casa de um alfaiate, depois uma casa de esquina.Não lembro o nome do pessoal, mas tinha um rapaz que urinava na cama. Virava e mexia, a mãe dele colocava o colchão dele pra secar no sol. Meio deprimente. Vinha depois algumas casas, o bar do Seu Pereira, e em seguida uma fabriquinha, a metalúrgica do Costinha. Aí já estávamos na Rua Major Carlos del Prete (até hoje não sei se o certo é Carlo ou Carlos).